Cleomar Rocha

Es licenciado en Letras por la Facultad de Educación, Ciencias y Letras de Iporá (1991), máster en Arte y Tecnología de la Imagen por la Universidad de Brasilia (1997), doctor en Comunicación y Cultura Contemporánea por la Universidad Federal de Bahía (2004), posdoctorado en Tecnologías de Inteligencia y Diseño Digital por la PUC-SP (2009), posdoctorado en Estudios Culturales por la Universidad Federal de Río de Janeiro (2011), posdoctorado en Poética Interdisciplinaria por la Universidad Federal de Río de Janeiro (2016) y posdoctorado en Ciudades Inteligentes por la USP (2022).

Profesor titular de la Universidad Federal de Goiás, donde coordina el Media Lab/UFG y el PPG en Artes, Culturas y Tecnologías.

Investigador visitante en la UFRJ y la Universidad de Caldas, en Colombia. Tiene experiencia en las áreas de Arte, Tecnología, Comunicación y Diseño, trabajando principalmente en los siguientes temas: Arte Tecnológico, Diseño de Interfaces, Medios Interactivos, Ciudades Inteligentes y Gestión Pública. Es artista e investigador con una beca de productividad del CNPq.

Entrevista completa

Entrevista com Cleomar de Sousa Rocha

1. Você poderia contar um pouco sobre sua trajetória pessoal e profissional — como se deu sua aproximação entre arte, ciência e tecnologia?

Sou brasileiro de Goiás, região central do país e sempre me interessei pelas artes. Após cursar graduação em Letras, fui para a Universidade de Brasília fazer bacharelado em Pintura, tendo ingressado no Mestrado em Arte e Tecnologia da Imagem na sequência. A Universidade de Brasília foi minha grande escola sobre Arte e Tecnologia, tendo convivido e debatido com os pioneiros da área, no Brasil. Depois de residir por 5 anos em Brasília, segui para Salvador, onde fiquei por 11 anos e fiz o doutorado em Comunicação e Cultura Contemporâneas, na UFBA, com tese sobre Arte e Tecnologia. Neste período fui presidente da Anpap e realizei, com o Goethe Institute Salvador, uma série de eventos internacionais sobre Arte e Tecnologia. Em 2008 retornei a Goiás, agora na condição de docente da Universidade Federal de Goiás, onde fundei, em 2009, o Media Lab, laboratório interdisciplinar com foco em mídias interativas, atualmente sede da rede Media Lab / Iberoamérica, rede composta por 13 laboratórios, sendo 10 deles no Brasil e outros 3 na Argentina, Uruguai e Espanha.

2. Quais foram os marcos mais importantes em sua formação artística e acadêmica?

O mestrado em Arte e Tecnologia da Imagem, na Universidade de Brasília, foi seguramente o ponto fundante para a atuação na área. A compreensão da transversalidade temática me conduziu a participar e realizar eventos internacionais e na criação do Media Lab – Laboratório de Pesquisa e Inovação em Mídias Interativas – e do SIIMI – Simpósio Internacional de Inovação em Mídias Interativas – foram decisivos para consolidar a atuação no campo, tornados referências internacionais. 

Como presidente da Anpap – Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas – tive a oportunidade de diálogo com pesquisadores e artistas de todo o Brasil. A atuação como curador do Itaú Cultural, no programa Rumos, igualmente foi de grande aprendizado no campo artístico.

A realização do doutorado e dos pós-doutorados que se seguiram (até agora foram 4), trouxeram a oportunidade de discussões com mentes brilhantes nos campos da Arte e Tecnologia e dos estudos da cultura. 

Finalmente, devo salientar o Programa de Pós-graduação em Artes, Culturas e Tecnologias, que marca o ingresso do Media Lab na oferta de formação de mestres e doutores, e a constituição da rede Media Lab / Iberoamérica, que expandem a atuação do grupo que se formou para um patamar que trouxe perspectiva de permanência para o pensando, discussões e realizações travadas até aqui.

3. Em sua opinião, o que caracteriza a arte e tecnologia produzida no Brasil em relação a outros contextos latino-americanos?

O Brasil, gigantesco em dimensões, traz igualmente um gigantismo em referências e culturas, sendo atravessado pela pluralidade e mesclagem. Certamente tais características singularizam a produção em Arte e Tecnologia no país, com referências múltiplas. Seu posicionamento entre o marginal e o centro, entre o acesso a dispositivos tecnológicos obsoletos e de última geração, faz ebulir a criatividade característica dos processos artísticos brasileiros, cujas referências são variadas e universais, criando um conjunto de produção cuja diversidade temática, poética e tecnológica são, por vezes, surpreendentes, e sempre encantadores.  

4. Como você percebe a relação entre experimentação artística e pesquisa científica hoje?

As pesquisas científicas sempre estiveram abertas para a experimentação, não por outro motivo chamadas de experimentos científicos. A arte, por outro lado, sempre se moveu sem as travas da ciência, não tendo como referência a verdade, mas a sensibilidade e a criativdade. Ao longo da História, é possível perceber a aproximação da arte com determinadas ciências, como a Matemática, a Física, a Psicologia e Percepção, para citar alguns exemplos – seja cedendo argumentos para estudos científicos, seja na inspiração para novas teorias. Certamente poderíamos traçar uma linha entre a formulação da explicação do mundo e a produção artística, desde os povos originários e as civilizações antigas, até o contemporâneo. A arte, como inspiradora do futuro, traça as linhas por onde a Ciência caminhará, realizando o que a arte já sonhou. Quero dizer, com isso, que não há uma relação incipiente entre experimentação artística e pesquisa científica, mas um casamento duradouro, cujos filhos conhecemos como contemporaneidade.

5. O que significa, para você, o termo cibercidadania no contexto atual de redes, algoritmos e inteligência artificial?

O prefixo ciber se refere às redes telemáticas ou ciberespaço. Cidadania, a despeito das várias interpretações e abrangências, pode ser entendida, grosso modo, como o exercício democrático de viver em sociedade. Assim, cibercidadania estende o exercício cidadão para as redes telemáticas, incluindo não só o acesso aos serviços e dados públicos, mas também o posicionamento responsável e civilizado nas redes. Cibercidadania é a preservação das possibilidades, responsabilidades e limitações do pleno exercício cidadão nas redes telemáticas.

Certamente a inserção dos algoritmos e da inteligência artificial torna esse exercício mais crítico e sensível, visto que caminhamos em terreno instável. Todavia, incrementa aspectos relacionados aos dados sensíveis, proteção de dados e ao fato inegável de que todos somos criadores de conteúdos digitais, mesmo que não queiramos.

A cibercidadania lida, de modo específico, com as condições de acesso e compartilhamento dessa realidade plataformizada em que a cidadania é, também, digital. Nas cidades inteligentes e processos de governança digital, compreender a cibercidadania torna-se fundamental para assegurar o exercício pelo do cidadão, fortalecendo a reflexão e a democracia.

6. De que maneira as tecnologias digitais transformaram não apenas as linguagens artísticas, mas também as formas de participação social e política?

Somos uma sociedade tecnológica. A cultware – cultura tecnológica – é um fato. Mais que a cultura digital, a cultura tecnológica se caracteriza pela compreensão e aplicação de alguns princípios científicos na produção e uso de aparatos tecnológicos. Essa condição de o conhecimento tecnológico estar amalgamado à nossa cultura e sociedade chamamos de cultware. Logo, é muito mais amplo e profundo que a cultura digital. Essa característica sociocultural altera comportamentos, usos, costumes e valores, inclusive gerando estéticas específicas, como a estética da conectividade. Neste sentido, essa condição contemporânea deflagra mudanças de pensamento e comportamento, além de valores e princípios, afetando todas as áreas, como política e arte. Mudamos nosso modo de pensar e agir, produzir e valorar. Nossa sensibilidade e consciência também tiveram impactos com a cultware e com o contexto hodierno. Como diria o americano Don Ihde, somos ontologicamente tecnológicos.

7. Você acredita que as cidades inteligentes podem ser também cidades sensíveis? Como a arte pode contribuir para isso?

A mim parece não haver inteligência sem sensibilidade. A despeito do que chamamos de cidades inteligentes, surgiram várias outras denominações, a meu ver redundantes. Cidades inteligentes e sustentáveis; cidades humanas, inteligentes, criativas e sustentáveis, dentre outras. Seria preciso esclarecer o que o termo inteligente traz, por si só, alguns outros adjetivos implícitos, como criativo, sustentável e, claro, humano. Deste modo concebo, em primeiro lugar, que cidades inteligentes são um modo de exercer a cidadania, e não somente a inserção de infraestrutura digital nas cidades. Há de se considerar que cidadãos ou representantes do povo que não tenham sensibilidade para compreender as necessidades civilizatórias não poderiam ser denominadas inteligentes. E havemos de concordar que a cultura e as artes são essenciais para a concepção de uma civilização, inclusive para fomentar a identidade, a civilidade e a empatia. Sensibilidade é essencial para qualquer projeto de cidade inteligente e a arte torna-se grande aliada para isso, na medida em que exercita as linguagens, promovendo a sensibilização do ver, do ouvir, do perceber o que outros têm a dizer e expressar, em suma, do respeito, da civilidade. A arte é o ápice da expressão humana, pedra sobre a qual se edifica a identidade e a convivência sociais.

8. Que papel a educação desempenha na formação de sujeitos críticos e criativos diante das novas tecnologias?

Tecnologia é conhecimento, não se restringindo aos dispositivos tecnológicos. Como conhecimento, a educação é fundamento para geração e disseminação da tecnologia. Sem a educação, estaríamos reinventando a roda a cada dia. A educação representa a continuidade e o desenvolvimento do conhecimento, seja científico, tecnológico ou artístico. Educação é a área responsável pelo avanço humano. Naturalmente, dependemos da educação para desenvolver nossas capacidades cognitivas de entender o mundo, nosso passado e prospectar nosso futuro. A criticidade e a criatividade são essenciais para qualquer projeto educacional e, por conseguinte, para um projeto social. Sendo assim, a educação é essencial para o desenvolvimento da tecnologia como conhecimento. Há de se fazer uma notação sobre a definição de tecnologia, que não se reduz ao uso de dispositivos tecnológicos, mas sim na lógica de sua fabricação e uso. A tecnologia é a capacidade humana de aplicar o conhecimento científico para produzir objetos e dispositivos e garantir que seu uso esteja direcionado para controlar a entropia, mas jamais para controlar mentes humanas.

9. Que artistas, pensadores ou cientistas mais influenciaram seu trabalho e sua visão de mundo?

Gosto muito de literatura e trago comigo alguns autores que me impactaram muito, como José J. Veiga, Carlos Drummond de Andrade, Autran Dourado e Gabriel Garcia Marquez. Nas artes visuais, Rafael me deixou sem fôlego, enquanto Christa Sommerer e Laurent Mignonneau me fazem refletir muito. Jeffrey Shaw e Maurice Benayoun são artistas que igualmente me inspiram. Já Lucia Santaella, Heloisa Teixeira e Suzete Venturelli são daquelas mulheres fortes que impactam a vida, não somente a arte. Retornando para a literatura, Cecília Meireles, Hilda Hilst e Clarisse Lispector são potências inspiradoras que certamente contribuem para sensibilizar a visão de mundo de muitos, a minha, inclusive. 

10. Qual é a importância de espaços como laboratórios de mídia, fab labs e residências artísticas no contexto da inovação cultural?

O trabalho de pesquisa, na atualidade, é um trabalho coletivo. Mesmo quando o pesquisador está sozinho, ele traz consigo as vozes de todos aqueles que ele leu e com quem aprendeu. A produção de conhecimento é algo dinâmico e coletivo e não individual. 

Neste sentido, os media labs e residências artísticas favorecem a realização de pesquisas em um contexto coletivo e colaborativo, fortalecendo a perspectiva de que pesquisas, mesmo no âmbito da arte, são igualmente realizadas coletiva e colaborativamente. 

A importância, então, é criar e fortalecer a consciência de que conhecimento, também em arte, é algo construído coletivamente, tecendo redes cognitivas e sensíveis, lastreadas pela comunidade artística e científica. 

11. Que riscos e oportunidades você identifica no avanço da automação e dos algoritmos na produção cultural?

O fenômeno do brain rot – cérebro podre – indica a passividade frente aos avanços da automação, gerando uma substituição cognitiva pelas ações algorítmicas. No caminho oposto desse fenômeno, temos a hiperinteligência, que ocorre quando o intelecto humano se fortalece com as ferramentas algorítmicas, em especial com a inteligência artificial. Entendo que a produção cultura é uma das maiores frentes de combate ao brain rot e, por conseguinte, uma das maiores armas humanas para desenvolver a hiperinteligência. Contudo, havemos de considerar que pode sim haver uma pasteurização e perda de identidade cultural frente aos dispositivos tecnológicos, que ao lidarem com massas de dados, buscam soluções gerais e não específicas para os problemas. 

Em síntese, podemos homogeneizar ações e valores culturais, perdendo identidade e diversidade, mas podemos, de outro modo, ter a oportunidade de reforçar a complexidade como traço humano global, reafirmando culturas, identidades e diversidades culturais, auxiliando no desenvolvimento de uma hiperinteligência.

12. Você acredita que a arte ainda tem poder transformador nas sociedades hipertecnológicas de hoje?

Não tenho dúvidas em relação a isto. A arte tem papel fundamental e foi a primeira área de enxergar, na tecnologia, o que o filósofo Andrew Feenberg chamou posteriormente de abordagem crítica: negar a visão determinista e autônoma relacionada aos dispositivos tecnológicos, inserindo valor estético e definindo modos de processamento que desviaram a razão primeira e utilitária dos dispositivos. Se a tecnologia, como aponta Feenberg, é controle, a arte foi a primeira área a controlar os dispositivos tecnológicos voltando-os para questões estéticas, não restritos aos quesitos de uma funcionais. Em tempos de sociedade hipertecnológicas, a arte mantém seu posicionamento como ponta de lança da humanidade, fazendo ver que a tecnologia é, acima de tudo, construção da cultura.  

13. A cultura digital tende a globalizar as linguagens. Como preservar identidades locais sem perder o diálogo internacional?

Não entendo que a cultura digital globalize as linguagens. Entendo que ela cria um código global, mas não exatamente linguagens, e estas mantém sua existência. No Brasil, por exemplo, várias nações indígenas estão usando a tecnologia digital para fazer florescer sua língua, registrar linguagens quase extintas. Creio que, se o código digital alinha bases e sentenciam determinadas linguagens, por outro lado elas possibilitam exatamente seus registros, difusão e manutenção. Léxicos, glossários e thesaurus são criados em profusão, além de registros em fotos, vídeos e áudios, com conversões, interoperabilidade e traduções em vários níveis. Todavia, línguas continuarão a deixar de existir, vocábulos cairão em desuso e mesclas vocabulares criarão novas sintaxes, em uma pragmática evolutiva contextualizada com nosso tempo. E isso não é novo. Mesmo antes da dita cultura digital isso ocorreu por diversas vezes. Para se ter um exemplo, estima-se que no período pré-colombiano registravam-se milhares de línguas no continente – cerca de 1.000 línguas no que hoje conhecemos como Brasil e aproximadamente 500 no território dos EUA. Atualmente registram-se cerca de 600 línguas em todas as Américas.  Tratam-se de processos naturais de contextos e linguagens. A língua, e por conseguinte as linguagens, são vivas, como já definiu Ferdinand de Saussure, e se aderem aos contextos de uso. Logo, não permanecerão estanques diante de novos contextos. A manutenção identitária depende, sobretudo, da consciência e valoração dela mesma em sua cultura, e não exatamente do tipo de codificação ou suporte, se digital ou analógica. Ainda que haja influência, ela sempre será mútua e recíproca e não unilateral. 

14. Quais são, na sua opinião, os principais desafios para a arte e a educação na próxima década?

Creio que um problema central para a arte seja reconhecer-se como conhecimento e não apenas expressão. Melhor, que seja expressão da cultura e da sociedade, portanto um registro sensível do aspecto social e de tudo que isso implica: valores, conhecimento, sensibilidades, produção, ética etc. Ao mesmo tempo, caberá à arte a manutenção de sua relevância e sua vitalidade poética e estética. Já a educação precisa dialogar com seu tempo, revendo seus princípios e práticas, em um fluxo dialógico com a cultura e as demandas sociais. Manter as práticas como eram no século XIX não parece fazer sentido. Tampouco faz sentido preparar os alunos para viverem no século XX. É preciso discutir que futuro estamos projetando, na educação, para efetivamente construirmos o futuro que prospectamos como sociedade. 

É preciso admitir que o modelo de sala de aula está esgotado e não serve mais para nosso contexto. Ao menos não exclusivamente. O local em que o aprendizado se dá é o cérebro, não é na sala de aula. O modelo de sala de aula ainda mantém a lógica de laboratório de aprendizado, com estímulos pedagógicos pontuais. Atualmente a lógica gira em torno de outros valores e o espaço das cidades possibilitam, com seus museus, parques e dispositivos inteligentes, aprendizagens mais densas e significativas que as salas de aula. Nisso os estudos de cultware auxiliam. 

Finalmente, será preciso que a sociedade compreenda que o modelo de sociedade que temos é derivado da ciência e que tem as universidades como seu maior protagonista, visto que ali são formados os principais atores, aqueles que mantém o conhecimento em curso, aplicados nos cuidados com a vida, com as moradias, com a organização social, com as sensibilidades e necessidades humanas.

15. Como você imagina o futuro da criação artística em um mundo mediado por redes, dados e inteligências múltiplas?

Imagino uma sensibilidade distribuída e acessível. Do mesmo modo que alteramos a ideia de conhecimento, deixando a perspectiva de gênio criador e adotando a noção de um conhecimento distribuído, precisamos avançar mais na construção de uma arte acessível e distribuída, cujas bases sejam universais e faça sentido em um contexto de redes, dados e inteligência distribuída. Imagino que possamos construir essa realidade, refletindo nosso zeitgeist contemporâneo. Entendo que já avançamos bastante nesse sentido, seja com as estéticas informacional, relacional e da conectividade, seja com as poéticas tecnológicas.

16. E, por fim, quais são seus próximos projetos ou temas de pesquisa que mais o entusiasmam neste momento?

Tenho pesquisado sobre Cultware – cultura tecnológica – e suas implicações, principalmente na construção de uma hiperinteligência. Entendo que a cultura digital é restrita ao contexto  computacional, priorizando dados e informações, enquanto a cultura tecnológica indica o humano no contexto do conhecimento, inclusive digital. Assim, a cultura tecnológica é mais abrangente que a cultura digital, englobando-a. Mais que isso, ela avança sobretudo para compreender o humano em uma sociedade do conhecimento, implicando estudar comportamentos humanos e não humanos, interações entre esses entes e que tipo de relações criamos para o desenvolvimento social. Tecnopsicologias, psicotecnologias, sociedade em rede, redes sociais, interação humano-computador, implicações de agentes tecnológicos – como algoritmos e/ou IAs – na construção de modelos comportamentais e diretrizes de consumo, cidades inteligentes, tudo isso está abrangido pela cultware, mas não pela cultura digital. Tomadas de decisão e definições estratégicas de políticas, mercado e sensibilidades, desde pequenas ações até grandes decisões, serão melhores se alinharmos o potencial cognitivo humano com o processamento de dados realizado pelas IAs. Esse alinhamento e articulação é o que chamamos de hiperinteligência. A arte cumpre papel essencial nesse contexto e recebe especial atenção de minha parte, seja no Media Lab / Iberoamérica, seja em nossas formações de mestrado e doutorado.

Entrevista diseñada por Ricardo Dal Farra.